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sábado, 18 de julho de 2015

modelo de negociação,tv digital e a cópia da programação.

A TV DIGITAL E A CÓPIA DA PROGRAMAÇÃO ANÁLISES / TAGS: PUBLICADO ORIGINALMENTE NA FOLHA DE SÃO PAULO Uma decisão importante está para ser tomada pelo governo federal. Ela irá definir se a TV digital brasileira adotará ou não o sistema de restrição anticópia. Parece questão menor, mas não é. Se esse sistema (chamado DRM) for implementado no Brasil, o direito de decidir como usar o sinal da televisão sai da mão do consumidor e passa a ser das emissoras. Em outras palavras, caberá às emissoras decidir se o consumidor tem ou não o direito de gravar os programas que passam na TV. Elimina, na prática, uma liberdade que sempre existiu. A medida tem um impacto negativo que não pode ser ignorado. O primeiro é econômico. Para incorporar a tecnologia anticópia, os fabricantes dos conversores da TV digital deverão pagar anualmente para usar a tecnologia, que pertence a um consórcio internacional de empresas. Esse valor é repassado para os consumidores ou contribuintes na forma de subsídios fiscais concedidos aos fabricantes. No entanto, o custo não se reverte em benefício. O consumidor ou contribuinte acaba financiando um sistema que não lhe interessa, que, na verdade, reduz a utilidade da TV digital. Paga para levar menos. Mesmo que os fornecedores do produto se disponham a subsidiar os custos da medida, estão comprando uma liberdade que não foi negociada e que não está à venda. Isso leva ao segundo impacto, que é jurídico. Nos Estados Unidos, país no qual a TV digital se encontra mais disseminada, a adoção do sistema anticópia foi firmemente repelida, inclusive judicialmente, sob o argumento de inconstitucionalidade. No Brasil, a inconstitucionalidade é a mesma. A televisão aberta é um serviço que compete à União. A nossa Constituição Federal utiliza as palavras "livre e gratuita" para qualificá-la, concedendo inclusive isenção fiscal quanto ao imposto sobre comunicações. Dessa forma, com a instalação do sistema anticópia, a televisão pode até continuar a ser gratuita, mas deixa de ser "livre".Além disso, a lei de direitos autorais permite expressamente modalidades de utilização legítima da programação de TV. Com o sistema anticópia, a tecnologia não tem como distinguir a natureza da utilização a ser feita dos programas. Os bons e os maus usos são tratados da mesma forma: são igualmente impedidos. O terceiro e talvez mais importante impacto é político. Mecanismos de restrição tecnológica, como esse que se propõe adotar para a TV digital no país, são sabidamente ineficazes. O sistema que impede a cópia de DVDs é resultado de um consórcio de empresas que investiu vários anos e vultosos recursos em sua criação. Foi eliminado por um garoto de 16 anos. E a história se repete agora com a nova geração de discos de alta definição (Blu-ray e HD DVD), cuja proteção também já foi quebrada. Por isso, empresas de todo o mundo estão abandonando a utilização desses mecanismos, por perceberem que se trata de dinheiro jogado fora. Em outras palavras, quem de fato deseja distribuir conteúdo ilegalmente com fins comerciais continua a poder fazê-lo. O consumidor de boa-fé acaba sendo o único afetado. No Brasil, o serviço de televisão é regido pelo interesse público. Um sistema político que permite a adoção de um sistema sabidamente ineficaz, que implica custos para o consumidor e nenhum benefício a ele é um sistema político defeituoso. Ou, ao menos, está dando importância demasiada a poucos interlocutores. Em tal situação, caberá ao Poder Judiciário decidir sobre a legalidade da medida em eventuais ações propostas por consumidores e contribuintes. Quero aqui mostrar como se deve negociar algo que parece impossível.Aprendamos aqui como dar os passos numa negociação eficaz.Neste tipo de negociação aqui visto é do tipo ganha e perde.Caso essa negociação seja efetuada quem vai ganhar são as emissoras.O consumidor final sairá perdendo.Esse tipo de negociação nunca será adequada para uma negociação eficaz.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Quais são as características de um bom líder.

Quais são as características de um bom líder e por que ele é fundamental na evolução e no crescimento de uma empresa

O bom líder…
1. Assume que quanto mais pessoas souberem das coisas, melhor. O bom líder não retém conhecimento.
2. Não perde a humildade jamais. Trata sua equipe como um elenco que trabalha no dia-a-dia, enquanto a ele cabe ficar nos bastidores.
3. Gera confiança e confia. A desconfiança e a gestão pela busca de culpados são traços negativos que levam a uma cultura organizacional negativa: a do medo em assumir riscos e errar.
4. Comunica-se bem e desenvolve empatia com seus liderados.
5. É exemplo. O líder deve representar aquilo que a empresa apresenta como proposta de valor para o profissional (tanto ao novo que está entrando quanto ao que já está lá).
O naufrágio do transatlântico Costa Concordia, há duas semanas na costa da Itália, tomou conta do noticiário internacional não apenas pela dimensão da tragédia em si – que matou, até agora, pelo menos 15 pessoas -, mas principalmente pela postura do comandante Francesco Schettino. Ao, literalmente, abandonar o barco, Schettino deu um belo exemplo de como um líder não deve agir. Como autoridade máxima do navio, cabia a ele comandar as operações de resgate das 4,2 mil pessoas a bordo. “Ao escolher se salvar em primeiro lugar, Schettino não só demonstrou despreparo para enfrentar uma situação adversa, um dos piores pecados de alguém que ocupa uma função de liderança, como fez pior: quebrou a confiança daqueles que estavam a bordo”, comenta Flávia Kurth, diretora-executiva da Véli Soluções em RH.O caso reflete uma realidade que tem assustado o mundo corporativo, e que não é de hoje: bons líderes estão cada vez mais escassos. A pesquisa “Sonhos e pesadelos dos profissionais de RH”, realizada recentemente pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), mostra que quase 64% dos profissionais consultados acreditam que as empresas não têm líderes suficientes para suprir as necessidades dos próximos três anos. Um dado preocupante, que pode limitar o crescimento das organizações em um bom momento de expansão econômica do país.
Para Monica Schmaida, consultora da Véli, a postura de pessoas que ocupam cargos de liderança tem um impacto decisivo na evolução de uma empresa. São eles que definem a estrátegia que a empresa ou setor irá seguir para alcançar os resultados estabelecidos. Alguns líderes como Steve Jobs (Apple), Bill Gates (Microsoft), Silvio Santos (SBT) e Mark Zuckerberg (Facebook) são conhecidos pelas escolhas e atitudes demonstradas em momentos singulares. No entanto, a especialista lembra que líderes são pessoas admiradas e que inspiram os profissionais que trabalham para eles, independentemente de serem famosos ou não.
Em entrevista concedida ao Noticenter, Flávia e Monica explicam por que os líderes são agentes de sucesso (ou de naufrágio!) das empresas e apontam as principais características que profissionais em cargos de comando e chefia precisam ter para conduzir os negócios – e, acima de tudo, as pessoas.
ADMIRAÇÃO EM PRIMEIRO LUGAR
O líder precisa ser admirado pelos profissionais que comanda, e admiração é algo que se conquista. “Grandes líderes da história e dos negócios conseguiram fazer revoluções porque conquistaram a admiração do seu povo. Despertaram seus sonhos e a confiança de que eles seriam possíveis de realizar”, comenta Monica.
Para desenvolver esse carisma, não é necessário ocupar cargo de chefia, mas sim ter atitude. Essa admiração não deve estar relacionada apenas à sua superioridade hierárquica (é bom lembrar que nem todo líder é, necessariamente, um chefe), mas principalmente pelo relacionamento com seu público. “Hoje em dia, os profissionais se sentem mais seguros para questionar atitudes e decisões do líder”, avalia Flávia. “Quando o líder não é admirado por sua equipe, raramente os negócios vão fluir de maneira positiva”, completa. “É como os jogadores de um time de futebol que fazem corpo mole em campo para derrubar um treinador porque não o respeitam ou não acreditam em sua filosofia de trabalho”, compara Monica.
Dar voz para a equipe, reconhecer e incentivar boas ideias e valorizar os profissionais são algumas das obrigações que todo bom líder deve ter para conduzir com sucesso uma empresa.
O LÍDER PRECISA TRANSMITIR CONFIANÇA
Uma espécie de porto seguro, onde os liderados possam buscar apoio, afirmação, feedback e crescimento. O líder não precisa ter todas as respostas, mas precisa saber estimular seu time para que ele chegue à melhor resposta. Precisa saber mediar conflitos, ter empatia, entender os dois lados e tomar a melhor decisão para a empresa e a mais justa para os colaboradores.
Nos momentos críticos e situações de crise, um líder não pode transparecer covardia e medo. Precisa ser ponderado e ter atitude para não causar pânico. “É dever do líder buscar alternativas em cenários adversos, mesmo que ele, inicialmente, não enxergue solução para o problema”, diz Flávia. “Ele precisa estar presente, chamar a responsabilidade para si”, acrescenta a especialista.
No caso da tragédia na Itália, foi o comandante da Capitania dos Portos, Gregorio de Falco, que se transformou em exemplo de liderança ao ordenar que Francesco Schettino voltasse para o navio para comandar a operação de resgate dos passageiros a bordo. A postura negativa de Schettino pode custar caro à empresa operadora dos cruzeiros, que teve danos irreparáveis à sua imagem institucional.
AS PESSOAS DEVEM SE SENTIR PROTAGONISTAS
Uma situação corriqueira no mundo corporativo é a busca por posições hierarquicamente superiores por simples questão de vaidade ou status. Quando a necessidade de conquistar prestígio pessoal fala mais alto do que a vontade de ajudar a empresa e as pessoas a crescerem, o risco se torna eminente. “O líder não é a empresa”, afirma Mônica. “Ele é aquele que vai conduzir as pessoas para que os resultados apareçam. Portanto, precisa saber entrar e sair de cena, dividir os louros com a equipe e assumir as críticas”, complementa.
DIVISÃO DE CONHECIMENTOS
Bons líderes não têm receio de compartilhar o que sabem. E também são maduros e humildes o suficiente para se disporem a aprender com seus subordinados. Afinal, eles é que estão nas trincheiras do dia a dia, conhecem a realidade da empresa e o melhor: estão loucos para serem ouvidos.
Se ter a confiança da equipe é um fator primordial para o sucesso dos negócios, o contrário também se aplica. Quem ocupa um cargo de liderança precisa contar com o apoio de uma retaguarda. Traduzindo: não pode ser centralizador e precisa saber direcionar tarefas e cobrar resultados. Da mesma forma, deve treinar possíveis sucessores. “No final das contas, as pessoas passam e a empresa sempre fica”, lembra Flávia.
A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO
Além da experiência do mercado na bagagem, um líder tem de ser um bom articulador e comunicador. Às vezes, essas características são até mais importantes do que o próprio conhecimento técnico. Muitos profissionais que ascendem a um cargo de liderança depois de se destacarem na área operacional encontram dificuldades para se expressarem ou transmitirem aquilo que desejam

domingo, 12 de julho de 2015

8 histórias de sucesso que provam que as derrotas promovem crescimento pessoal

Não é sempre que o sucesso vem fácil. Na maior parte das vezes, ele só dá as caras depois de muito esforço e muitas tentativas fracassadas. A regra é bem ilustrada por uma frase de Wiston Churchill: "o sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder entusiasmo". Veja, a seguir, as histórias de pessoas que se deram bem na vida - mas não sem antes passar por bons bocados. A A maior apresentadora da televisão americana chegou a ser demitida de uma emissora no início de sua carreira. No começo da década de 1980, Oprah trabalhava como âncora de um jornal do canal WJZ-TV, a TV local da cidade de Baltimore, do estado de Maryland. Segundo seu chefe, ela se deixava envolver demais nas histórias que contava em seu programa e, por isso, foi mandada embora. Poucos anos depois, em 1986, seu talk show, o Oprah Winfrey Show, começava a ser exibido em cadeia nacional. O programa foi renovado até à 25ª temporada e rendeu à apresentadora muitos prêmios de reconhecimento, inclusive sua primeira aparição na lista da revista Time de pessoas mais influentes do mundo. Além desta, Oprah passou a figurar também em outro importante ranking: o dos mais ricos do mundo. Segundo a revista Forbes, o patrimônio da americana é de US$ 1,4 bilhão.2. Harrisson Ford A primeira vez que Harrisson Ford apareceu no cinema foi para fazer um pequeno papel em "O Ladrão Conquistador", de 1966. Da estreia, no entanto, não vieram grandes oportunidades para o ator. Com uma esposa e dois filhos para manter, ele largou tudo, em 1970, para se tornar carpinteiro - uma profissão que ele julgava mais estável financeiramente. Coincidência ou não, Ford começou a construir gabinetes para o cenário de "Loucuras de Verão", filme dirigido por George Lucas, em 1973. O contato com o diretor lhe rendeu uma participação no longa e, mais para a frente, o papel de Han Solo em "Star Wars IV: Uma Nova Esperança". Conhecido também por sua atuação em Indiana Jones e Blade Runner, o artista possui, hoje, dois recordes hollywoodianos no Guinnes Book: o de ator que gerou o maior lucro de bilheteria e o de ator com mais filmes que ultrapassaram a marca de US$ 100 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos.3. Tim Allen Pouca gente sabe, mas Tim Allen passou dois anos preso por posse e tráfico de cocaína. A prisão ocorreu pouco depois de Allen iniciar sua carreira como comediante - ele fazia apresentações de stand up comedy em casas noturnas de Detroit. Em sua condenação, Allen recebeu uma sentença reduzida após concordar em testemunhar contra seu parceiro no tráfico. Ele cumpriu pena na Prisão Federal de Sandstone, onde se tornou conhecido por conquistar tanto os guardas quanto os prisioneiros mais difíceis com seu senso de humor.4. Andrea Bocelli Antes de se tornar tenor, Andrea Bocelli se apresentava em bares da cidade de Pisa, na Itália. O dinheiro que ganhava à noite garantia não só o pagamento das aulas de canto, mas também da faculdade de direito que ele cursava. Depois de se formar, em 1987, e trabalhar durante um ano como advogado, Bocelli optou pela música como carreira definitivamente. Ele começou a ter aulas de canto com o maestro Luciano Bettarini e passou a se dedicar ao canto em tempo integral. Tanto trabalho teve retorno. Quatro anos depois de iniciar suas lições com Bettarini, quando já tinha 33 anos, a voz do cantor chegou aos ouvidos de Luciano Pavarotti. O experiente cantor se tornou "padrinho" da carreira de Bocelli.5. Walt Disney Acredite se quiser: muito antes de o Mickey ser criado, Walt Disney foi demitido de seu trabalho em um jornal por sua "falta de imaginação e boas ideias". Ele trabalhava como ilustrador de anúncios publicados nas páginas do veículo. Quando saiu do emprego, em 1921, ele se juntou ao seu irmao Roy e o amigo Ub Iwerks para fundar a produtora Laugh-O-Gram, que criava animações de contos de fadas - a predecessora do Walt Disney Studios. Os desenhos feitos pelo trio começaram a ser exibidos nos cinemas da cidade do Kansas antes das sessões de filmes. Durante um período, o estúdio fechou um acordo com uma distribuidora de Nova York que apenas pagava pelas animações seis meses depois de recebê-las. Foram tempos difíceis para Disney, que precisou reduzir as despesas e a equipe ao máximo para fazer a empresa sobreviver. O ilustrador não poupou esforços: no final do ano de 1922, ele estava morando no escritório da Laugh-O-Gram, comendo comida de cachorro e tomando banho uma vez por semana em uma estação de trem. Depois de fazer uma animação sobre higiene dental para um dentista da região, Disney obteve dinheiro o suficiente para levar a Laugh-O-Gram para Hollywood, em 1923. Lá, o estúdio fechou um contrato com Universal Studios, que passou a comprar e a exibir as animações da equipe. Foi nesse período que Disney criou um de seus importantes personagens, o Coelho Osvaldo, que se tornou bastante popular quando foi lançado. O ilustrador, no entanto, não colocou sua assinatura no desenho do pequeno coelho - uma brecha que permitiu à Universal roubar a figura, levando consigo a equipe de desenhistas do Laugh-O-Gram. Quando isso ocorreu, Disney enviou um telegrama ao seu irmão dizendo para ele não se preocupar, pois ele já tinha um novo personagem em sua mente: Mickey Mouse. O sucesso obtido pelo camundongo tirou o ilustrador e seus sócios da miséria.6. Steve Jobs A história de como a Pixar foi criada começa com um fato intrigante: a demissão de Steve Jobs da companhia que ele próprio fundou, a Apple. É conhecido o fato de que Jobs não era um chefe fácil. Pelo contrário, ele era extremamente exigente e tinha uma maneira cruel de cobrar seus funcionários. Esse jeito tornou sua imagem desgastada no conselho da empresa, que, chefiado por John Sculley, optou por uma reestruturação. Nela, Jobs não teria o controle de nenhuma divisão, mas poderia ficar na empresa com o título de presidente do conselho. O empresário não aceitou e saiu da Apple. Um ano depois, em 1986, Jobs comprou um estúdio de computação gráfica chamado Lucasfilm. Rebatizada de Pixar (uma mistura das palavras pixels e arte), a empresa desenvolveu uma parceria estratégica com a Disney, com a qual criou, produziu e lançou animações de 3D de sucesso, começando com Toy Story.7. J. K. Rowling Joanne Rowling, ou J. K. Rowling, era mãe solteira e estava desempregada quando começou a escrever sobre Harry Potter, seus amigos e a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Ela conta que a figura do bruxo com uma cicatriz em formato de raio na testa surgiu inesperadamente em sua cabeça, durante uma viagem de trem em 1990. A história criada ao entorno do personagem Harry Potter ajudava Rowling a passar o tempo, enquanto enfrentava uma depressão e dificuldades financeiras. A escritora apresentou "Harry Potter e a Pedra Filosofal", o primeiro livro da sequência, a oito editoras diferentes antes de conseguir publicá-lo, em 1997, pela Bloomsbury Press. A obra conta hoje com mais de 120 milhões de cópias comercializadas. Toda a série Harry Potter foi traduzida para mais de 67 idiomas e vendeu cerca de 1 bilhão de exemplares até dezembro de 2011. Com o grande sucesso de seus livros, Rowling tornou-se a mulher mais rica na história da literatura.8. Ricardo Nunes “A dificuldade faz a gente aprender mais rápido”. A frase é de Ricardo Nunes, fundador da Ricardo Eletro e o principal acionista da Máquina de Vendas. O empresário sabe bem do que fala: seu pai morreu aos 40 anos, fazendo com que ele, filho mais velho, começasse a trabalhar para ajudar a mãe com a renda da casa. Nunes começou, então, a vender tangerinas na porta de uma faculdade. Em pouco tempo, notou que muitas pessoas não compravam as frutas porque não queriam descascá-las. Assim, passou a vender tangerinas descascadas. Depois de algum tempo, o empresário começou a vender liquidificadores. Vendo que existia muita concorrência no mercado, optou por uma estratégia intrigante: cobrir qualquer oferta. Por causa disso, ele conta que perdeu muito dinheiro com os liquidificadores. O lado bom era que os clientes que vinham à loja acabavam saindo de lá com outros produtos. No final das contas, as teorias aplicadas na venda de tangerinas e no comércio de liquidificadores deram resultado. Nunes hoje está à frente de uma rede de varejo que fatura R$ 9 bilhões por ano.

Tom Peter e o conceito de liderança eficaz

Thomas J. Peters(Tom Peters) (nascido em 7 de novembro de 1942)nasceu em Baltimore, Maryland. Fez a escola secundária na Severn School e a universidade na Cornell University, tendo-se graduado em engenharia civil em 1965, e obtendo um mestrado em 1966. De seguida, Peters estudou gestão na Stanford Business School, obtendo o seu MBA e doutoramento (PhD). Em 2004, também recebeu um doutoramento honorário da Universidade de Gestão de Moscovo. De 1966 a 1970, Peters serviu na Marinha Norte-Americana. De 1973 a 74, trabalhou na Casa Branca, na Administração Nixon, como consultor em abuso de substâncias (drogas). De 1974 a 1981, Peters trabalhou como consultor de gestão na McKinsey & Company, chegando a partner e líder de práticas organizacionais efectivas em 1979, após o qual, em 1981, Peters passou a consultor independente. É um guru da gerência de negócios, de 1970 até o presente. Seu primeiro grande livro (em coautoria com Robert Waterman "Em Busca da Excelência" - editado em português como "Vencendo a Crise" foi um inesperado sucesso editorial. Seu combate incansável contra a imobilidade e falta de paixão no trabalho o levaram a ser radicalmente a favor a inovação, contra o kaizen (ou melhoria contínua), e a considerar o incrementalismo como o maior inimigo da inovação. Temas como a Destruição Criativa e a descontinuidade são ícones de seu alerta contra a predominância da mutabilidade dos mercados sobre a intenção de "continuidade" que é presumida pela maior parte das empresas. Imaginação e Paixão são recomendados em abundância para um mundo altamente competitivo. Atuando da perspectiva de um ativista sexagenário, ele tenta ferir mortalmente a engrenagem burocrática que vê envenenando o mundo dos negócios, - resíduo do modelo racionalista, mas sua luta continua, tendo o ponto de exclamação (!) como logotipo.Tom Peters, guru de administração de empresas e co-autor de In Search of Excellence, gostava de dizer que era capaz de entrar numa empresa e em 15 minutos diagnosticar se os empregados estão satisfeitos ou não. Obra 1982 - In Search of Excellence (Em Busca da Excelência) (com o co-autor Robert H. Waterman) 1985 - A Passion for Excellence (com a co-autora Nancy Austin) 1987 - Thriving on Chaos 1992 - Liberation Management 1993 - The Tom Peters Seminar: Crazy Times Call for Crazy Organizations 1994 - The Pursuit of WOW! 1997 - The Circle of Innovation: You Can't Shrink Your Way to Greatness 1999 - The Brand You50, The Project50 and The Professional Service Firm50 2003 - Re-imagine! Business Excellence in a Disruptive Age 2005 - Talent 2005 - Leadership 2005 - Design 2005 - Trends (com a co-autora Martha Barletta)12 LIÇÕES DE TOM PETERS PARA SER UM BOM LÍDER CERQUE-SE DE PESSOAS DIFERENTES DE VOCÊ, TENHA ENTUSIASMO, VALORIZA AS MULHERES E CELEBRE O FRACASSO SÃO ALGUMAS DAS DICAS DO GURU DA GESTÃOvTom Peters é um guru da gestão. Parece clichê, mas não há uma definição melhor para o seu trabalho. Ele dá palestras pelo mundo divulgando suas reflexões para executivos e empreendedores, já ajudou a escrever mais de 20 livros e tem quase 50 anos de carreira. Nesta quarta-feira (8/04), ele esteve em São Paulo para falar sobre ideias que podem transformar organizações e que todos os líderes deveriam ter em mente. Abaixo, confira 12 lições: Excelência é uma estratégia de curto prazo Todas as organizações e seus líderes buscam atingir a excelência no que fazem. Mas para chegar lá não adianta só filosofar sobre isso e ficar imaginando como seria o cenário ideal. “A excelência é o que você faz nos próximos cinco minutos”, disse Peters no Fórum HSM Liderança e Alta Performance. É a atitude na hora de conduzir a próxima conversa ou a próxima reunião. Cuide dos seus funcionários como se eles fossem seus clientes “Seus clientes nunca serão mais felizes que seus funcionários”. Essa é uma das máximas preferidas de Peters e ele garante que ela resume uma ideia fundamental para as organizações. Isto é, empresas e líderes que não valorizam seus funcionários nem promovem um ambiente agradável nunca entregarão o melhor serviço ou produto para seu público. Ele chama a atenção para a importância de manter felizes e motivados os funcionários da “linha de frente” do negócio, como vendedores em uma loja de eletrodomésticos ou camareiras em um hotel. São eles, no final do dia, que estarão em contato direto com os clientes e causarão uma impressão – boa ou ruim – sobre a companhia. Segundo Peters, a maioria das pessoas vai trabalhar a vida inteira e, durante muitos anos, elas passarão mais tempo dedicadas à empresa do que a qualquer outra coisa. Por isso, criar um ambiente que enriqueça as vidas dos funcionários é quase uma obrigação moral. E, sim, isso dá dinheiro. “Há uma lista de livros sobre pessoas que colocaram as pessoas em primeiro lugar e ganharam dinheiro com isso”, diz o especialista. Dê treinamento aos funcionários Para atingir a excelência, um esportista treina. Um artista ensaia. Um militar participa de simulações de conflito. Por que, então, o treinamento é colocado em segundo plano nas empresas? Segundo Peters, não faz sentido. “Se você pedir para um executivo falar sobre as iniciativas do seu negócio em 45 minutos, mais de oito em cada dez deles não mencionarão treinamento. Eles falam sobre o investimento no novo software. Mas se eu tivesse que escolher, colocaria meu dinheiro em treinamento e desenvolvimento de pessoas”. O motivo? Traz retorno para a empresa a longo prazo. “Capacitação deveria fazer parte da verba de desenvolvimento e pesquisa nas organizações”. Ele usa a Disney como exemplo. Os milhares de funcionários não chegaram prontos na empresa. Para atingir o padrão pelo qual a empresa é conhecida, precisaram de treinamento para executar suas funções e incorporar a cultura.Pessoas se demitem de seus gerentes, não de suas empresas Por isso, é importante cuidar dos gerentes e supervisores de todos os níveis da empresa e garantir que eles estão sendo bons líderes para os seus funcionários. + 'Ninguém se torna líder lendo um livro' Valorize as mulheres Não, ele não está apenas tentando agradar as feministas. Os argumentos para aumentar a participação de mulheres dentro da empresa, especialmente nos níveis mais altos, são baseados em números. Uma pesquisa da consultoria McKinsey&Company mostra que companhias que têm mais mulheres em seus conselhos em relação à média possuem lucro operacional 56% maior. Outra pesquisa, publicada na Harvard Business Review, aponta que as mulheres têm notas mais altas em 12 de 16 competências consideradas fundamentais para um líder. E, em boa parte do mundo, incluindo a Arábia Saudita, as mulheres são responsáveis por 85% das decisões de compra. Elas movimentam 28 trilhões de dólares por ano – mais do que o PIB da China e da Índia juntos. Portanto, faz sentido que elas participem do desenvolvimento dos produtos e serviços. Celebre o fracasso Você não precisa dar uma festa toda vez que algo sair errado na empresa. Mas deve permitir que isso aconteça com frequência sem punições e até mesmo valorizar o funcionário que se arrisca. A ideia de que uma ideia deve dar certo na primeira tentativa é estúpida, segundo Peters. “Você vai à escola e aprende que não pode errar. Mas no Mas no mundo real, o único jeito de fazer as coisas é errando”, diz. “Os que mais tentam fazer coisas, ganham”. Essa ideia é traduzida por líderes de empresas famosas de diferentes maneiras. No Facebook, a máxima “move fast, break things” (mexa-se rápido, quebre coisas). Na empresa de design IDEO, “don’t plan, do stuff” (não planeje, faça). E, segundo o fundador da Honda: “o sucesso representa 1% do seu trabalho, que resulta de 99% daquilo que chamamos de fracasso”.Cerque-se de pessoas diferentes de você Não subestime a importância das pessoas com quem você convive diariamente. Elas influenciam suas ideias e suas posturas. Não há nada de errado em ter um grupo dentro da empresa de quem você é mais próximo ou com quem você conversa com mais frequência. Mas Peters defende que executivos devem se forçar a aumentar esse círculo. Ele usa o almoço como exemplo. “Você tem em média 220 almoços em dias de trabalho durante o ano. Se, no final do ano, você almoçou 217 vezes com as mesmas pessoas, você saberá mais ou menos as mesmas coisas que no começo do ano”. + Tempos loucos pedem organizações loucas “Quando coisas estranhas estão acontecendo, é bom que você também comece a apostar em coisas estranhas”, defende Peters. Para avaliar se sua organização está seguindo essa filosofia, ele faz a seguinte pergunta: quantas das suas cinco principais estratégias ou projetos ganhariam uma nota maior que 8 em uma escala que considerasse os fatores “estranho”, “profundo”, “uau” e “divisor de águas”? Preste atenção nas pequenas coisas Causar uma impressão melhor nos clientes ou aumentar o faturamento não depende apenas de investimentos milionários. O exemplo preferido de Peters é o jeito que uma aeromoça da indiana Kingfisher Airlines o atendeu certa vez durante um voo para Nova Déli. Ela passou pela classe executiva, na qual a maioria dos clientes era mais velho e não tinha uma visão 100%, perguntando: “o senhor gostaria que eu limpasse os seus óculos?”. “Eu vou lembrar desse momento até morrer”, garante Peters. Outro exemplo: há alguns anos, o Walmart decidiu colocar carrinhos maiores nas lojas. Assim, as pessoas que comprassem um eletrodoméstico conseguiriam carregar outros produtos. Com um investimento relativamente pequeno, a rede de supermercados conseguiu aumentar em 50% suas vendas nos Estados Unidos. Não subestime o poder das redes sociais Aparentemente, é um caminho sem volta. Os consumidores ganharam muito mais poder com as redes sociais e eles podem tanto se associar a sua marca como embaixadores ou se tornarem “terroristas” que querem vê-la morrer. Seja lá em qual situação você se encontra, não ignore essas vozes. Abra os olhos – e os ouvidos Um bom líder deve saber o que acontece em diferentes níveis da empresa e estimular as pessoas a darem suas opiniões. O CEO do Starbucks, Howard Schultz, visita pelo menos 25 lojas da rede por semana. Peters diz que a pergunta mais fundamental que o líder deve fazer é “o que você acha?”. Serve não só para ouvir opiniões diferentes, mas para fazer com que as pessoas se sintam importantes e reconhecidas. Ouvir, aliás, é um de seus grandes conselhos: prestar atenção no que os outros têm a dizer é a maior demonstração de respeito por eles. Se você não é um bom ouvinte, aí vai a boa notícia: é possível praticar.Entusiasmo é tudo Para os líderes, toda hora é hora do show. Eles não podem se permitir ter um dia ruim, principalmente durante situações mais difíceis. O entusiasmo é contagiante e precisa ser espalhado pela organização.

liderança,entenda melhor esse conceito

erança é o processo de conduzir um grupo de pessoas, transformando-o numa equipe que gera resultados. É a habilidade de motivar e influenciar os liderados, de forma ética e positiva, para que contribuam voluntariamente e com entusiasmo para alcançarem os objetivos da equipe e da organização. Assim, o líder diferencia-se do chefe, que é aquela pessoa encarregada por uma tarefa ou atividade de uma organização e que, para tal, comanda um grupo de pessoas, tendo autoridade de mandar e exigir obediência. Para os gestores atuais, são necessárias não só as competências do chefe, mas principalmente as do líder. A natureza e o exercício da liderança tem sido objeto de estudo do homem ao longo da sua história. Bernard Bass (2007) argumenta que "desde sua infância, o estudo da história tem sido o estudo dos líderes - o que e porque eles eram o que fizeram".A busca do ideal do líder também está presente no campo da filosofia. Platão, por exemplo, argumentava em A República que o regente precisava ser educado com a razão, descrevendo o seu ideal de "rei filósofo". Outros exemplos de filósofos que abordaram o tema são Confúcio e seu "rei sábio", bem como Tao e seu "líder servo". Acadêmicos argumentam que a liderança como tema de pesquisa científica surgiu apenas depois da década de 30 fora do campo da filosofia e da história. Com o passar do tempo, a pesquisa e a literatura sobre liderança evoluíram de teorias que descreviam traços e características pessoais dos líderes eficazes, passando por uma abordagem funcional básica que esboçava o que líderes eficazes deveriam fazer, e chegando a uma abordagem situacional ou contingencial, que propõe um estilo mais flexível, adaptativo para a liderança eficaz. Nos últimos anos, boa parte dessas pesquisas e obras tem sido criticada por ser de escopo muito restrito, mais preocupado com a explicação dos comportamentos de líderes face a face com seus colaboradores, ao invés de examinar os líderes no contexto maior de suas organizações, prestando pouca atenção ao papel da liderança organizacional em termos do tratamento da mudança ambiental. É o processo de maior importancia ao qual se deve fazer enfâse. Conceito - Líder é o condutor, o guia, aquele que comanda. Ser líder é ter uma visão global, uma relação entre o homem e o seu ambiente de trabalho. É saber ensinar e também aprender, sendo este último de vital importância, ou de maior importância. A principal atividade de um gestor ou líder é a de conduzir pessoas, como o próprio nome indica, sabendo para isso lidar com elas e conseguir os melhores resultados. As pessoas são, sem dúvida, o principal ativo de uma organização, o seu mais importante recurso, necessário ao ponto de pequenas, médias e grandes empresas terem um setor somente desenvolvido em função delas: o departamento de R.H. Em outras palavras, elas são o capital intelectual, o mais importante de uma empresa realmente moderna. De fato, os líderes influenciam seguidores. Por este motivo, muitos acreditam que os líderes têm por rigação considerar a ética de suas decisões. Apesar de a liderança ser importante para a gerência e estreitamente relacionada a ela, liderança e gerência não são os mesmo conceitos. Liderar não é uma tarefa simples, pelo contrário, liderança exige paciência, disciplina, humildade, respeito e compromisso, pois a organização é um organismo vivo, dotado de colaboradores dos mais diferentes tipos. Dessa forma, pode-se definir liderança como o processo de dirigir e influenciar as atividades relacionadas às tarefas dos membros de um grupo. Porém, existem três implicações importantes nesta definição: 1ª) A liderança envolve outras pessoas: Onde houver mais de uma pessoa, haverá a necessidade de um líder, o que contribuirá na organização de um trabalho, tarefa ou até mesmo no convívio familiar. 2ª) A liderança envolve uma distribuição desigual de poder entre os líderes e os demais membros do grupo: A distribuição de poder dentro de uma empresa é sem dúvidas sua ponte para crescimento. 3ª) A liderança é a capacidade de usar diferentes formas de poder para influenciar de vários modos seus seguidores – Pode até faltar os recursos, só não pode faltar a criatividade para criá-los. Sabendo que a liderança é o exercício adequado da função de líder. Ou em resumo: é o indivíduo que exercita sua capacidade de persuasão, argumentação e carisma. Mesmo não estando presente, ele é percebido como se estivesse, e sempre lembrado pela inovação e liderança. Tendo sua maior função de gerar novas idéias e colocá-las em prática. Ele deve liderar talvez ainda inspirar, ele não pode deixar que as coisas se tornem rotineiras, e para ele, a prática de hoje jamais será suficientemente boa para amanhã.DERANÇA VISIONÁRIA Até agora temos utilizado o conceito de visão como relacionado a liderança carismática, mas neste momento o conceito de Liderança Visionário leva essa idéia muito além de carisma. Robbins (1999) conceitua Liderança Visionária como “a capacidade de criar e articular uma visão realista, crível e atraente do futuro para uma organização ou unidade organizacional que cresce e melhora a partir do presente”. Essa visão, se selecionada e implementada apropriadamente, é tão energética que “na verdade dá partida para o futuro clamando por habilidades, talentos e recursos para fazê-lo acontecer”. Visão extrai emoção e energia das pessoas. Articulada adequadamente, uma visão cria o entusiasmo que as pessoas têm por acontecimentos esportivos e outras atividades de lazer, trazendo energia e compromisso ao local de trabalho. São inúmeros os argumentos a favor da liderança visionária, por exemplo: • “A organização no Séc. XXI praticamente exige a liderança visionária. Nada pode funcionar sem ela, pois uma organização dirigida por mudança tecnológica acelerada, constituída por uma mistura diversificada, multicultural de trabalhadores inteligentes altamente reconhecidos, enfrentando complexidade global, um enorme caleidoscópio de necessidades individuais de clientes e exigências incessantes de constituintes múltiplos, simplesmente se autodestruiria sem um sentido de direção comum.” • “A cola que une indivíduos de um grupo com a mesma meta comum... quando partilhada por empregados pode manter uma empresa inteira movendo-se adiante frente a dificuldades, capacitando e inspirando líderes e empregados da mesma maneira“.Dados de uma pesquisa realizada com 1.500 líderes seniores, incluindo aí 870 CEOs (Chief Executive Officer – Presidente da Empresa) indicam a crescente importância da liderança visionária. Requisitou-se aos entrevistados que descrevessem os traços-chave ou talentos desejáveis para um CEP no ano 2000, sendo que os resultados encontrados foram: • As características dominantes mais freqüentemente mencionadas informam que o CEO devia transmitir um “forte sentido de visão”. • Noventa e oito por cento classificaram esse traço como o mais importante. Outra pesquisa comparou 18 empresas visionárias com 18 empresas não visionárias por um período de 65 anos. Descobriu-se que as empresas visionárias ultrapassaram de forma significativa a performance das empresas não visionárias: • Empresas visionárias ultrapassaram em seis vezes as empresas não visionárias em relação a critérios financeiros padrões. • As ações das empresas visionárias ultrapassaram o mercado geral em 15 oportunidades. Algumas considerações sobre como a visão impacta a empresa e gera inúmeras possibilidades na busca dos objetivos da organização e de seus membros, seja através de uma maior união, como através da criação da imagem do futuro da organização (Robbins, 1999, p.235): • As propriedades-chave de uma visão parecem ser possibilidades inspiradoras que são centradas em valor, realizáveis, com um conjunto de imagens superior e articulação.v• As visões devem ser capazes de criar possibilidades que sejam inspiradoras, únicas, e que ofereçam uma nova ordem que possa produzir distinção organizacional. • Uma visão provavelmente falhará se não oferecer uma imagem do futuro, que seja clara e demonstravelmente melhor para a organização e seus membros. • Visões desejáveis combinam os tempos e as circunstâncias e refletem a união da organização. As pessoas na organização devem também acreditar que a visão é alcançável. • A visão deve ser percebida como desafiadora, porém factível. Visões que têm articulação clara e imagens poderosas são mais facilmente compreendidas e aceitas. Geralmente é mais fácil mostrar uma visão do que falar sobre ela, por isso, aí vão alguns exemplos de visão: • “Ser a única fonte de fornecedor de software para a indústria de serviços financeiros” • “Ser a empresa líder de relações publicas e promoções de propriedade de afro-americanos nos EUA” • “Tornar-se o produtor de acabamento interno de automóveis que melhor atende ao cliente na América do Norte” As qualidades de um líder visionário podem ser divididas em três: 1. Capacidade de explicar a visão para os outros.O líder precisa tornar a visão clara em termos de ações e propósitos exigidos através do processo de comunicação oral e escrita claras. A melhor visão, provavelmente, será ineficaz se o líder não for um forte comunicador. • Exemplo: Ronald Reagan (Ex-Presidente dos EUA) – chamado o grande comunicador – usou seus anos de experiência como ator para ajudá-lo a articular uma visão simples para a sua presidência: uma volta aos tempos mais felizes e mais prósperos através de menos governo, impostos mais baixos e uma poderosa forca militar. 2. Capacidade de Expressar a visão não apenas verbalmente, mas através de comportamento do líder. • Isso requer comportar-se de uma maneira que continuamente transmita e reforce a visa. • Exemplo: Herb Keller, da Southwest Airlines, vive e respira seu compromisso com o serviço ao cliente. Ele é famoso dentro da empresa por, quando necessário, ajudar a fazer o check-in de passageiros, carregar a bagagem, cobrir comissários de bordo ou fazer qualquer coisa que torne a experiência do cliente mais agradável. Podemos identificar neste exemplo o Comandante Rolim, que também estava sempre buscando oferecer o melhor serviço para os clientes da TAM. 3. Ser capaz de estender a visão a contextos diferentes de liderança. • É a habilidade de sequenciar atividades para que a visão possa ser aplicada em uma variedade de situações. • Exemplo: a visão tem que ser tão significativa para as pessoas da contabilidade quanto para as do marketing, e para os empregados em Londres como em São Paulo.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Biografia de Samuel Klein.

Samuel Klein é um empresário judeu polonês nascido em 15 de novembro de 1923 em Zaklików, Polônia. Fonte: http://www.blogodorium.com.br/biografia-de-samuel-klein-fundador-das-casas-bahia/#ixzz3fQnHUV3W Hoje trago aqui neste blog uma linda história do fundador das casas bahia.Espero que todos tirem inspiração para se motivar em seu negocio.Quando criança ele trabalhava como marceneiro junto ao pai. Isto até que os nazistas invadiram a Polônia e aprisionaram a família de Samuel. Ele foi levado com seu pai para o campo de concentração Maidanek (este foi o terceiro maior campo), enquanto a mãe e os irmãos foram para Treblinka. Depois disto eles foram transferidos para Auschwitz. Durante a transferência, Samuel conseguiu fugir dos soldados nazistas. Ficou um tempo trabalhando em algumas fazendas em troca de comida. Com o fim da guerra encontrou-se com sua irmã Sézia e seu irmão Salomon. Foram morar na Alemanha Ocidental e lá encontraram seu pai. Neste momento sentiram que era hora de deixar a Europa. O pai de Samuel foi para Israel. Samuel, que havia se casado com Chana a pouco tempo, acabou indo para a Bolívia e depois veio para o Brasil. Estabeleceu-se em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo com a família. Foi quando começou a trabalhar como comerciante. Tornou-se mascate, vendendo roupas de cama, mesa e banho de porta em porta, com uma charrete. Em cinco anos de dedicado trabalho, conseguiu capital para comprar uma loja chamada Casa Bahia. Era a sua homenagem a seus fregueses, na maioria retirantes baianos vindo tentar a sorte na região. Hoje são mais de 560 lojas e o maior depósito de distribuição da América Latina.  As Casas Bahia tornaram-se uma das maiores redes de varejo do País.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Biografia de Carlos Slim,um empreendedor líder de sucesso.

Carlos Slim Nome completo Carlos Slim Helú Conhecido(a) por Ser a pessoa mais rica do mundo em 2010, 2011 e 2012 Nascimento 28 de janeiro de 1940 (75 anos) Cidade do México, Distrito Federal, México México Residência Cidade do México, Distrito Federal, México México Nacionalidade Mexicano Fortuna AumentoUS$ 77,1 bilhões (2015) Parentesco Julián Slim Haddad Linda Helú Cônjuge Soumaya Domit (1967-1999) Filho(s) Carlos, Marco Antonio, Patrick (Filhos) Johanna, Soumaya, Vanessa (Filhas) Ocupação Empresário Empregador América Móvil Religião Igreja Maronita Página oficial carlosslim.com Carlos Slim Helú (Cidade do México, 28 de janeiro de 1940) é um empresário mexicano de origem libanesa. É conhecido no México por Midas, devido a sua habilidade em transformar empreendimentos decadentes em companhias saudáveis e lucrativas. Considerado o rei Midas das telecomunicações, tem mais de 79.500 bilhões de dólares, superando Bill Gates. Usa relógios Cartier nas versões mais simples. Deixou o controle das suas empresas para seus filhos, genros e sobrinhos, segundo fala, para que aprendam eles mesmos a gerenciar seus negócios e a trabalhar. 1 Í 2 Telmex e outros grandes investimentos 3 Projetos sociais e culturais 4 Projetos de investir na Nickelodeon 5 Visão política sobre a América Latina 6 Bi Carlos Slim Helú é viúvo, pai de seis filhos e avô de dezoito netos. Afeito à família, uma vez por semana reúne seus filhos, genros, noras e netos para jantar. Começou a trabalhar aos oito anos de idade ajudando o pai, Julián Slim Haddad (Yusef Salim Haddad, antes de desembarcar no México em 1902 proveniente do Líbano), na loja "Estrella de Oriente" que ficava próxima ao Palácio Nacional e prosperava.[carece de fontes] Juventude O pai foi uma figura de grande importância no destino do garoto. Ensinou-lhe alguns princípios para obter altos rendimentos: vender muito a preço baixo", "ter sempre uma reserva para aproveitar boas oportunidades de negócios" e "investir a longo prazo". Resultado: aos doze anos Carlos tinha seu próprio caderno de contabilidade. Aos domingos nos almoços familiares, ele montava uma mesa sob a escada e vendia doces aos primos. Aos 15 anos já tinha 44 ações do Banamex (Banco Nacional de México). E as variações de seu patrimônio eram registradas diariamente. Em 1957, antes de entrar na universidade, sua carteira somava exatamente 31.900 pesos e 26 centavos.Mais tarde formou-se engenheiro civil pela Universidad Autónoma Nacional de México e também ensinou Álgebra Linear e de Programação, enquanto estudava para o seu diploma, o que significa que ele foi aluno e professor. Também fez um curso sobre avaliação de projetos e desenvolvimento econômico na Cepal, em Santiago do Chile. Foi professor por um curto período e trabalhou como operador na Bolsa Mexicana de Valores. Primeiros investimentos Slim casou-se em 1960, aos 21 anos de idade, na tradição libanesa católica. Em vez de construir um casarão para a família no terreno que herdou do pai, ergueu ali um prédio de apartamentos. Carlos e Soumaya ocuparam um, alugaram outros tantos e venderam os demais. Assim surgiu seu primeiro empreendimento, a "Imobiliaria Carso" (marca resultante da junção dos nomes de Carlos e Soumaya). Entre 1965 e 1969 adquiriu condomínios e terrenos em diversas partes da Cidade do México que somavam uma superfície de mais de um milhão de metros quadrados e não parou mais de crescer. Com a herança que recebeu dos pais fez investimentos audaciosos. Na década de 1980, em plena crise recessiva provocada pela queda do preço do petróleo, aproveitando o princípio ensinado por seu pai ("ter sempre uma reserva para aproveitar boas oportunidades de negócios") e pelo elevado déficit público mexicano, comprou a Cigatam, principal companhia de cigarros e charutos do país, uma fábrica de autopeças e uma cadeia de restaurantes.Telmex e outros grandes investimentos Carlos Slim Sua grande investida aconteceu em 1990, quando a decadente companhia "Telefones de Barra Mansa", BMmex, foi privatizada a um preço muito inferior do estimado, no âmbito das políticas liberais que aconteceram na América Latina nos anos 1990. Slim ganhou a concorrência e transformou a empresa deficitária na maior companhia privada do país, a joia da coroa de seu império. Tem mais de 10 milhões de assinantes – 90% do mercado mexicano. A partir da Telmex, Slim Helú criou a América Móvil, operadora de telefonia celular que tem cinco milhões de clientes no México. Suas empresas pagam mais de cinco bilhões (mil milhões) de dólares em impostos, empregam mais de 200 mil trabalhadores e respondem por quase metade do PIB do México. O empresário expandiu seus negócios por todo o continente americano. Hoje comanda companhias de telecomunicações na Guatemala, em Porto Rico, no Peru, no Equador, em El Salvador, na Nicarágua, na Argentina, no Chile e na Colômbia. Tem participação nas maiores companhias de telecomunicações do Canadá à Terra do Fogo. No Brasil comprou a participação da Globopar na rede de TV a cabo NET, que tem 6 milhões de clientes. Também controla a Claro, segunda empresa de celulares do país, com mais de 40 milhões de clientes, e a Embratel, que opera ligações à distância. Seus investimentos nos Estados Unidos incluem participações na Philip Morris (hoje Altria Group), e na Saks Incorporated. Tornou-se o maior acionista da MCI, a segunda operadora de telefonia de longa distância americana. Adquiriu cerca de 3% da Apple Computer – e um ano depois, com o surgimento do iMac, o valor das ações da empresa saltou de 17 para 100 dólares cada. E associou-se ao empresário americano Bill Gates, o dono da Microsoft, para criar um portal na internet destinado aos hispanos. Seu escritório não tem computador, laptop ou qualquer outro apetrecho tecnológico que lhe permita acompanhar os movimentos financeiros on-line. Quando precisa de uma informação, pega o telefone e pede a um auxiliar. Certa vez ganhou um laptop dos filhos, de presente de Natal, mas só sabe ligar e desligar a máquina. Mas seu grupo vende mais de mil computadores por dia no México e milhares de pessoas em todo o mundo acessam seu portal na internet. Além disso, Slim criou um centro de pesquisas associado ao MIT americano para desenvolver novas tecnologias de informação adequadas à América Latina, para a formação de especialistas e para a transferência de conhecimentos. Atualmente todos os seus investimentos estão concentrados numa holding, o Grupo Carso. Sua residência fixa continua na Cidade do México, mas há anos Slim vive pelo mundo, cuidando de seus negócios nas áreas das comunicações, dos transportes, da mineração, do comércio, das finanças, dos seguros e da indústria de componentes automóveis. E apesar de ser o segundo homem mais rico do mundo, seu biógrafo, José Martínez, informou que Slim vive com um salário de 300 mil pesos (US$ 24 mil) por mês para despesas pessoais. Projetos sociais e culturais[editar | editar código-fonte] Maior colecionador privado de esculturas de Rodin (só existem mais peças no museu francês que leva o nome do artista), entre outras obras, construiu um espaço para franquear ao público sua coleção, o Museu Soumaya (o nome, de sua falecida esposa, vem da palavra árabe "samaa'", que significa céu). Criou uma fundação dedicada a restaurar prédios coloniais que estavam totalmente degradados no centro histórico da capital, onde passou a sua infância. As fundações da Telmex e do Grupo Carso possuem cada US$ 1 bi. Investem em educação, saúde e cultura. Pagam fiança de presos que cometeram crimes leves para evitar que fiquem anos na cadeia aguardando que o sistema judiciário lento resolva seus problemas. Têm programas de nutrição para crianças que vivem nas regiões mais pobres e cobrem as despesas cirúrgicas de pessoas de zonas rurais do México. Projetos de investir na Nickelodeon Nickelodeon (geralmente abreviado por Nick) é um canal de televisão por assinatura Mexicana, que pertence à MTV Networks, uma empresa subsidiária da Viacom, Carlos fundou essa empresa em 1977, sob o nome de Pinwheel e renomeado para Nickelodeon em 1979, tendo hoje como reconhecimento ser o canal infanto-juvenil mais antigo em atividade nos Estados Unidos. A fundação já rendeu cerca de 11 bilhões para o empresario.Visão política sobre a América Latina[editar | editar código-fonte] Embora fale inglês, raramente usa o idioma em público. Tem ideias claras a respeito das relações entre os Estados Unidos e a América Latina. Diz que os americanos deveriam ajudar a região a se desenvolver, financiando projetos de educação, de saúde e de infraestrutura, por interesse econômico, já que assim, mais pessoas seriam incorporadas ao mercado consumidor de seus produtos. "Não há melhor investimento do que promover o desenvolvimento latino americano. Os americanos deveriam perceber esse fato não por serem bons samaritanos, mas por razões de negócios", diz. "Da mesma forma, o Banco Mundial e outras instituições internacionais deveriam dar suporte ao desenvolvimento em vez de socorrer os países quando a crise se instala". Em junho de 2005, ao final do Terceiro Encontro de Empresários da América Latina, que reuniu os donos das maiores corporações latino-americanas no hotel Grand Hyatt, em São Paulo, o empresário deu um passo na direção que recomenda. Anunciou a criação da Impulsora del Desarrollo Económico de América Latina (Ideal). Bilionário Foi declarado em 2007 a pessoa mais rica do mundo, já na lista da Forbes de 2008 aparece na segunda posição, sendo que a primeira é ocupada pelo mega-investidor norte-americano Warren Buffet.2 Na lista da revista Forbes de 2011 aparece como o mais rico do mundo com uma fortuna avaliada em 69 bilhões de dólares (53 bilhões de euros)3 4 . O mexicano, com fortuna estimada em 63 bilhões dólares, ultrapassou o co-fundador da Microsoft, Bill Gates, segundo divulgou um respeitado rastreador de riqueza mexicano. Um aumento de 27 por cento de março a junho no preço da ação da América Móvil, maior operadora de telefone celular da América Latina, controlada por Slim e que no Brasil é dona da Claro (que hoje integra a Embratel, NET e Claro), o deixou quase 8,6 bilhões de dólares mais rico que Gates.5 Em 2009, mesmo vendo seu patrimônio ser reduzido em 27 bilhões de dólares, segundo a mesma revista, com uma fortuna de 35 bilhões de dólares. Em 2014, Slim foi eleito o segundo homem mais rico do mundo, atrás de Bill Gates, com uma fortuna avaliada em US$ 70,7 bilhões.6 Gosta de trabalhar com camisas de mangas curtas e, ao contrário de vários magnatas poderosos, não deseja ocupar as capas das revistas de alta sociedade. É o principal acionista da Telefónica América Móvil, que opera na América Latina e nos EUA e tem o controle da Telmes. 7 Segundo a Forbes, a crescente fortuna de Slim tem provocado polêmica no México, onde a renda per capita é de 6,8 mil dólares por ano, já que ele controla 90% do mercado de telefones no país, com um virtual monopólio.Quem é, como vive e o que pensa o homem mais rico do planeta Entrevistamos Carlos Slim, o empresário mexicano que desbancou Bill Gates no ranking dos bilionários. Ele tem um pé na velha e outro na nova economia, não usa computador, mas ganha dinheiro como ninguém na era da globalização. Quem faz sua cabeça é o futurólogo e amigo Alvin Toffler Estela Caparelli, da Cidade do México www.epocanegocios.com.br/ Quando o táxi entra no bairro de Lomas de Chapultepec, penso que não haveria lugar mais apropriado na Cidade do México para abrigar a casa e o escritório do novo homem mais rico do mundo, o mexicano de origem libanesa Carlos Slim Helú. Em "Las Lomas", como a área é conhecida, casarões e edifícios assinados por arquitetos mexicanos de renome, como Luis Barragán e Ricardo Legorreta, foram erguidos sobre os terrenos mais caros do país. Na rua Paseo de las Palmas já se avistam pela janela do carro os jovens executivos bem vestidos que trabalham nas empresas vizinhas de Slim, os bancos JP Morgan e Tokyo-Mitsubishi. "O 736 é ali", diz o taxista, apontando para o edifício de três andares onde fica a sede do Grupo Financeiro Inbursa, que abriga o escritório do empresário. O prédio nada tem de especial. No pequeno hall principal, piso e paredes de mármore. Passo pela recepção, subo dois lances de escada e me sento em um sofá de couro, à espera de um sinal da secretária para chegar ao homem mais poderoso do México, cuja fortuna e influência são motivo de conversas apaixonadas entre os mexicanos de todas as classes sociais. O gosto espartano sugere que os decoradores não têm influência por aqui, mas essa sensação de simplicidade se dissolve quando os olhos pousam nas pinturas e esculturas da coleção particular de Slim, distribuídas pelo ambiente. Elas são uma das glórias pessoais do empresário e ocupam todos os cantos e paredes. Trabalhos de pintores como Van Gogh, Renoir e Diego Rivera dividem espaço com A Primavera Eterna, uma das centenas de obras do escultor francês Auguste Rodin adquiridas por seu maior colecionador privado, o próprio Slim.UM SENHOR ENTRA NA SALA E FAZ UM GESTO CALOROSO. É ELE, SLIM Sou chamada para a entrevista e descubro que o controlador da Claro e da Embratel brasileiras despacha em uma sala ampla e austera, de cerca de 80 metros quadrados. O lugar transpira sua presença. No canto direito, há uma mesa rentangular repleta de papéis e sem computador. O empresário não usa nem nunca usou esse tipo de equipamento. Não lê documentos na tela nem envia ou recebe e-mails. Slim costuma dizer que toda a informação necessária para tomar uma decisão de negócios tem de caber em uma folha de papel. Encostado na parede, perto da porta principal, está um conjunto de sofás de couro verde e um cinzeiro de cristal onde repousa um isqueiro, pista da presença de um aficionado por charutos Cohiba, dos quais fuma pelo menos dois por dia. Ao lado dos sofás, em um pedestal, a escultura Os Últimos Dias de Napoleão, do escultor suí­ço Vicenzo Vela ("Está lá para que ele não esqueça de que é preciso ter sempre os pés no chão", diz uma fonte próxima ao empresário). No canto esquerdo, uma parede repleta de livros com temas relacionados a história, economia e seu esporte predileto: o beisebol. Ao lado, está a mesa de reuniões oval, tomada por papéis. Cercando o lugar, óleos de pintores como os mexicanos Gerardo Murillo e José Maria Velasco. A decoração reflete, a seu modo minimalista, alguns dos princípios centrais do modelo slimiano de administração: praticidade, austeridade, adoção de estruturas simples, investimento em ativos rentáveis. Um senhor de estatura média e gestos calorosos, entra, afinal, no escritório. É Slim, tem 67 anos. Está vestido com uma camisa social branca com suas iniciais bordadas e uma gravata verde-menta, sem paletó. Na conversa que se seguiu, o titã latino fala de sua receita pessoal de administração, de globalização e de temas como Brasil, redistribuição de riqueza e até mesmo felicidade. Não se recusou a responder nenhuma pergunta. De bom humor, sentado a minha frente com o braço apoiado na cadeira ao lado, apenas endureceu o tom ao comentar o lance épico mais recente de sua biografia: ter sido apontando, no mês passado, como o homem mais rico do mundo, desbancando o fundador da Microsoft, Bill Gates, que ocupa há 13 anos o topo da lista da fortuna da revista Forbes. O fato, anunciado por um respeitado site mexicano de economia, o Sentido Común, que acompanha a evolução da fortuna de Slim na bolsa, provocou toda sorte de comentários e atraiu uma avalanche de atenção indesejada. Novamente, abriu-se o debate sobre o virtual monopólio da Telmex, que tem 91% da telefonia fixa do México. Falou-se, claro, sobre o paradoxo que representa a riqueza faraônica de Slim em um país com tantos milhões de pobres. Outra vez se discutiu quanto o empresário dedica à filantropia, quando comparado a doadores generosos como Gates ou Warren Buffett, o terceiro da lista da Forbes. Na entrevista, Slim fez questão de desdenhar a sua nova posição de homem mais rico do planeta. "Não recebi essa notícia, mas é irrelevante", diz ele, com semblante pesado. "Não é uma competição. Não estou jogando futebol." O que o preocupa, afirma, é quanto suas empresas estão investindo e o que está acontecendo com elas. Seu principal desafio, explicita, é usar a Fundação Carso e outros braços filantrópicos de seu grupo para combater a exclusão e a pobreza, investindo em saúde, educação e emprego. A verba é de US$ 10 bilhões nos próximos quatro anos. "Ninguém leva nada deste mundo quando morre", afirma. "A riqueza deve ser administrada com eficiência, probidade, eficácia e sobriedade." Existem atalhos para se entender a personalidade do homem que detém o equivalente a 7,5% do PIB do México (uma comparação, aliás, que ele abomina). Em primeiro lugar está o pai, um comerciante libanês que chegou ao Novo Mundo próximo às convulsões políticas da revolução mexicana, no início do século 20. Como o pai, Slim é um homem de família, que vive cercado por filhos e genros, na vida e nos negócios. Como ele, também, é um negociante obstinado, herdeiro de uma tradição libanesa que vem dos fenícios, os primeiros vendedores internacionais do planeta. Diferentemente de outros bilionários recentes, Slim não é um homem moderno no sentido tecnológico ou cosmopolita da palavra. Formou-se na velha economia e seus ídolos empresariais são Warren Buffett - com quem aprendeu a comprar na baixa - e Jean Paul Getty, morto em 1976, colecionador de arte e magnata americano do petróleo. Getty cunhou em 1957 a frase famosamente melancólica: "Um bilhão de dólares não é mais o que costumava ser". Slim descobriu Getty ainda jovem, lendo uma reportagem na revista Playboy. Estatísticas de beisebol - Antiquado, o criador dos celulares pré-pagos no México gosta de coisas antigas, como Sofia Loren e boleros. Seus filmes favoritos são Tempos Modernos, de Charles Chaplin, e El Cid, um épico de capa e espada com Charlton Heston no papel principal. Sua simplicidade pessoal é legendária: veste as gravatas da própria loja, a Sanborns, e se diverte sozinho refazendo à mão estatísticas sobre beisebol. Não usa computadores, embora conte, entre seus melhores amigos, com o cientista americano Nicholas Negroponte - o pai do computador de US$ 100, a quem prometeu desembolsar US$ 50 milhões para distribuir as máquinas entre estudantes mexicanos e da América Central - e Alvin Toffler, o futurólogo. Esse é uma espécie de mentor do empresário e de seus filhos, a quem costuma dar palestras domésticas, informais. Durante a entrevista, mais de uma vez Slim se apoiou nas idéias de Toffler para explicar as suas próprias, como ao definir o novo mundo dos serviços criado pela tecnologia e a educação: "A maravilha dessa nova civilização é que ela se desenvolve e se sustenta com o bem-estar dos demais. A ninguém mais convém explorar outra pessoa, a pobreza". JOVEM, SLIM DESCOBRIU O MAGNATA PAUL GETTY. TORNOU-SE SEU ÍDOLO Há uma história contada por Arturo Ayub, o genro de Slim, que ajuda a entender como a falta de informação tecnológica é incapaz de embotar a astúcia natural do homem de negócios. Diz Ayub: "Eu comecei a Prodigy, um provedor internet. Um dia, cheguei muito satisfeito a uma reunião dizendo que já tínhamos 90 mil usuários. Slim me perguntou: 'Mas como, apenas 90 mil?' Eu expliquei que tínhamos um problema para a expansão, porque não havia tantas pessoas com computador no México. Então ele disse: 'O problema é que as pessoas não têm computador? Então, vamos vender computadores de forma facilitada para elas'. Do nada ele criou um esquema de financiamento de computadores em 24 meses, sem juros, com as parcelas debitadas na conta telefônica. Posso dizer a você que, hoje, a Telmex é a maior vendedora de computadores no México. Vendemos, desde 1999, mais de 1,3 milhão de computadores. No começo da promoção, vendíamos 3 mil computadores ao dia". Desde que o site editado pelo jornalista financeiro Eduardo García o colocou no topo de ranking dos mais endinheirados do planeta, Slim vem tratando de minimizar a repercussão dessa informação. Liderar a lista de bilionários significa superexposição e má publicidade: uma péssima combinação, no momento em que suas empresas preparam decisões estratégicas de expansão. E se há uma coisa que pode tirar "o engenheiro" do sério, dizem os que o conhecem, é ser atrapalhado em sua discreta e eficiente rotina de negócios. Mas, goste ele ou não, a lista existe e nela o valor de mercado das ações de Slim é de US$ 62,9 bilhões, superior aos US$ 56 bilhões de Gates e aos US$ 52,4 bilhões de Buffett divulgados pela revista Forbes em março deste ano. Medida em ativos, mais do que em cifras, a fortuna de Slim é impressionante. Ele controla ou participa de mais de 200 empresas, atuantes em setores tão diversos como telecomunicações, mineração, alimentos, serviços financeiros e restaurantes. Os mexicanos costumam dizer que é impossível viver um dia no país sem comprar algum produto ou usar algum dos serviços das empresas do Grupo Carso. No Brasil não existe ninguém tão remotamente poderoso. O banqueiro José Safra, por exemplo, é o brasileiro mais bem colocado na lista da Forbes. Ele divide a posição número 119 com outros oito bilionários internacionais, donos de uma fortuna de US$ 6 bilhões cada um. A riqueza de Safra, entretanto, corresponde a somente 0,3% do PIB brasileiro, de US$ 1,77 trilhão. Se alguém no Brasil fosse dono de 7,5% do PIB, a fortuna desse superbilionário hipotético seria de US$ 133 bilhões - ou 22 vezes a fortuna de José Safra. Como Slim reage a isso? "Fico muito contente que exista uma empresa que, a partir do México, um país em desenvolvimento, tenha criado uma companhia transnacional como a América Móvil, que cria valor para os investidores e compete globalmente, e com sucesso, com os grandes do mundo", afirma. "É importante que a globalização possa ser feita a partir de nossos países, como a Vale do Rio Doce está mostrando. É formidável." A história da extraordinária acumulação de Slim começou em 1966, quando ele, com apenas 26 anos, já tinha o equivalente, na época, a US$ 400 mil, obtidos com investimentos na bolsa e suporte do patrimônio familiar. Nessa época, recém-casado com Soumaya Domit Gemayel, com quem viria a ter seis filhos, lançou-se no mundo dos negócios adquirindo empresas no setor imobiliário, de construção civil e engarrafamento de bebidas. Nas duas décadas seguintes, seu grupo teve um crescimento gradativo, típico dos padrões mexicanos. Em 1982, tudo mudou. Desafiando o espírito de manada, ele foi às compras em meio a uma das mais severas crises da moderna economia mexicana. Enquanto os investidores estrangeiros e locais tentavam se desfazer de seus ativos a qualquer preço, Slim fez o contrário: comprou mineradoras, lojas de varejo, fábricas de cabos e muito mais. Formou, ao longo da crise e de seus efeitos, o maior conglomerado econômico do país - o Grupo Carso - que fatura por ano US$ 8,5 bilhões. Essa foi a primeira fase de sua metamorfose econômica. "As decisões que tomei naqueles anos me fizeram lembrar a decisão tomada por meu pai em 1914, quando, em plena revolução mexicana, comprou do irmão 50% do negócio (da família), colocando em risco todo o seu capital e seu futuro", disse Slim ao biógrafo José Martínez. A segunda metamorfose teve lugar em 1990, quando, em companhia da France Telecom, da Southwestern Bell e de outros 35 investidores mexicanos, entrou no leilão das privatizações e arrematou o controle da Telmex, gigante estatal das telecomunicações. Foi assim, pela escada da telefonia, que ele chegou à cobertura do mundo internacional dos negócios. Suas duas companhias telefônicas, a Telmex e a América Móvil, valem, juntas, 16 vezes mais do que o Grupo Carso, que tem quatro décadas de existência. Em 1991, quando seu nome apareceu pela primeira vez na lista de bilionários da Forbes, Slim era conhecido apenas por umas poucas pessoas do mundo empresarial mexicano. Naqueles tempos, dirigia um Thunderbird 1989 e tinha uma fortuna estimada em US$ 2,1 bilhões. Agora, passados 17 anos, ele domina o setor de telecomunicações na América Latina, é um rosto conhecido no mundo inteiro e tornou-se, a contragosto, o homem mais rico do planeta. Desde a infância, Slim teve seu pendor para negócios estimulado pelo pai, Julián Slim Haddad. Ele é o quinto dos seis filhos do casamento de Julián com a mexicana de origem libanesa Linda Helú. Segundo seu biógrafo, Slim foi, entre todos os irmãos, o herdeiro das habilidades paternas. Desde pequeno, observava o pai comprar mercadorias em outros países e revendê-las em sua loja na Cidade do México. Aos 12 anos, abriu uma conta bancária com cerca de US$ 400. Com 16 anos, comprou suas primeiras ações do Banco Nacional do México, hoje controlado pelo Citigroup. Por exigência do pai, Slim passou a anotar em cadernos com capa de couro o valor de suas movimentações financeiras. Guarda esses cadernos até hoje. No final dos anos 60, enquanto os jovens das famílias endinheiradas do México aproveitavam a vida em Paris, Slim começava a construir o Grupo Carso. O MÉXICO NÁO É A CHINA Ao contrário de Gates - seu sócio desde 2000 no portal de internet Prodigy MSN - Slim é, essencialmente, um empresário da velha economia que comprou um pedaço lucrativo da nova economia. Além de não usar computadores, ele não gosta de falar inglês em público nem tem um título de MBA pendurado na parede. O que diferencia esse engenheiro civil dos demais empresários é seu faro incomum para encontrar bons negócios e sua habilidade para implementá-los. Slim é um estrategista com talento excepcional, senso de oportunidade e clareza ao lidar com números. Não fosse assim, não teria conseguido forjar no México uma fortuna da magnitude daquela que forjou. A economia mexicana, embora relevante, não é a maior nem a mais dinâmica da América Latina, um continente por sua vez secundário na economia global. O México avança ao passo de 3% ao ano, não oferecendo as oportunidades criadas pelo crescimento galopante de 9% ao ano da China. De sua população de 107 milhões de habitantes, 49% estão em situação de pobreza estatística. Não se trata de um criadouro natural de bilionários.LANÇAMENTO DO PRÉ-PAGO NO MÉXICO FOI BATIZADO DE "PLANO GILLETTE" Ainda assim, Slim é Slim. Por quê? Em parte, pelo mesmo motivo que ajudou Bill Gates a reinar absoluto por 13 anos na lista da Forbes: monopólio. Gates tem o Windows, que funciona em mais de 90% dos computadores do mundo. Slim tem o mercado mexicano de telefonia fixa na mesma proporção: exatos 91%. Tanto Gates quanto Slim enfrentam competidores, mas ambos têm conseguido manter níveis elevados de controle dos seus mercados. A outra alavanca na fortuna dos dois é a bolsa de valores. Slim se beneficiou, nos últimos anos, de uma multiplicação quase bíblica no valor dos papéis mexicanos. Sua fortuna pessoal em ações equivale à metade do valor da bolsa mexicana, cujo índice subiu 49% no ano passado. Por isso, sua riqueza cresceu mais de US$ 20 bilhões no último ano. Gates também se tornou Gates embalado pelos ventos da bolsa americana. Se é verdade que a receita do mercado mexicano de telefonia fixa ajudou Slim a expandir seu império, também é verdade que ela não é a única responsável pelo crescimento assombroso da fortuna do empresário. A maior evidência disso é a América Móvil, empresa de telefonia celular do grupo, com 125 milhões de clientes e faturamento de US$ 22 bilhões. Ela começou como uma divisão de celular da Telmex e ganhou vida própria em 2000. Metade da fortuna do empresário vem da participação de 30% que ele detém na companhia, que equivale a US$ 32,6 bilhões. No segundo semestre, as ações subiram 26,5% em razão do desempenho da empresa, segundo a agência Sentido Común. Isso é resultado de uma tacada certeira feita lá atrás: a introdução dos celulares pré-pagos. Há 12 anos, durante uma reunião com seus colaboradores, Slim apresentou uma proposta para aumentar as vendas de celulares: "Vamos lançar o Plano Gillette". Sua idéia era adotar na telefonia a lógica da empresa norte-americana, que vende o aparelho de barbear e, depois, mantém os clientes cativos vendendo lâminas. "Ele me pediu que procurasse um modelo de pré-pago no mundo, mas não havia nada no mercado. Tivemos de desenvolver a tecnologia internamente", diz Ayub que, na época, estava encarregado do projeto. Com um produto acessível aos consumidores mexicanos, Slim abocanhou o mercado. Em 1990, a divisão de celulares da Telmex que deu origem à América Móvil tinha 35 mil clientes. Hoje, tem no México 43 milhões de usuários, dos quais 40 milhões usam pré-pagos. Com isso, Slim detém 77% do mercado celular mexicano, enfrentando, entre outros concorrentes, a poderosa Telefónica, que atua no país com a marca Movistar. Seus movimentos empresariais são orientados por um modelo próprio de gestão, sintetizado por ele mesmo em uma lista contendo dez mandamentos. Nela, o empresário defende estruturas simplificadas, austeridade nos gastos, ousadia nas idéias e reinvestimento no próprio negócio. Durante entrevista a Época NEGÓCIOS, acrescentou o 11o item à lista: a importância do espírito de equipe e de funcionários motivados. "São as pessoas que tornam as coisas possíveis; pessoas interessadas, motivadas, que vestem a camisa, como dizemos, e que sabem que podem alcançar qualquer desafio proposto." Ele acredita que uma empresa, qualquer que seja seu tamanho, precisa ter a mesma rapidez e flexibilidade de um pequeno comércio. TRABALHA EM MANGAS DE CAMISA E CARREGA A PRÓPRIA AGENDA Sua filosofia é a das empresas enxutas e flexíveis, com o mínimo de hierarquia necessário para tocar o empreendimento. Nelas não há lugar para estruturas corporativas pesadas, pompa e formalidade, sedes luxuosas, séqüitos de assessores e batalhões de secretárias, mordomias para um punhado de diretores e executivos ou modismos gerenciais. "Nunca tivemos um corporativo", afirma. "O corporativo faz muitas vezes que os operadores trabalhem para ele, em lugar de trabalhar para as operações, para o cliente, para o mercado." Se for necessário, o empresário fala pessoalmente com empregados menos graduados. Se um funcionário de um nível hierárquico mais baixo o chama para falar de um problema sério, ele atende a chamada. "Gosta de saber das coisas diretamente da fonte", diz uma pessoa que o conhece bem. O estilo Slim nada tem de empolado. Ele trabalha em mangas de camisa e dizem que sempre carrega sua agenda embaixo do braço, para lembrar que é dono do próprio tempo. Como ele divide as poucas horas do dia entre as várias empresas e fundações? Não divido o tempo, nunca dividi", diz ele. "Algumas vezes uma atividade demanda mais atenção e então me volto para ela." Quer dizer: ataca os problemas de frente, na hora em que se apresentam. Nos escritórios da empresa há quadros lembrando que o tempo é o bem mais precioso das pessoas e das organizações. Sobre a sua tarefa como líder de empresa, ele diz: "Meu trabalho é pensar". Slim trabalha dez horas por dia. Logo cedo, sai de sua casa no elegante bairro de Las Lomas, onde mora há 30 anos, e segue em uma Mercedes blindada até seu escritório, localizado a poucos minutos dali. Não tem helicóptero particular, mas, quando precisa voar, utiliza uma aeronave Cessna de seis lugares que pertence à Telmex. Quando chega ao escritório, costuma falar por telefone ou pessoalmente com seus filhos e genros, ou com Eduardo Valdes Acra, vice-presidente do Grupo Financeiro Inbursa, sobre a rotina de trabalho. Gosta de estar a par de tudo. Almoça normalmente com algum convidado na sala de reuniões ao lado de seu escritório ou no salão-museu que está no mesmo andar. A FÓRMULA FALHA O "engenheiro" acredita em ciclos e perseverança. No período de vacas gordas, afirma, é preciso manter a austeridade, investir em modernização e, com discrição, antecipar os movimentos da concorrência. Nada de acomodação. No momento de crise, quando os ativos estão desvalorizados, é hora de ir às compras. Essa segunda parte ele aprendeu com Buffett. "Todos os momentos são bons para quem sabe trabalhar e tem como fazê-lo", diz sua regra número 9. Essa fórmula tem se mostrado acertada, mas não é infalível. Slim comprou em 2000 a CompUSA, uma cadeia de varejo de computadores americana que hoje está encolhendo diante da concorrência. SLIM ME PREGUNTA: “SE TIVESSE DINHEIRO O QUE VOCÉ FARIA?” Até a segunda metade dos anos 90, Slim dirigia pessoalmente todas as operações dos Grupos Carso e Inbursa, braço financeiro de suas organizações. Em 1997, decidiu se afastar do dia-a-dia das empresas após enfrentar problemas de saúde decorrentes de uma cirurgia de coração. No final do ano seguinte, colocou seus filhos e genros à frente dos negócios e se transformou em presidente honorário e vitalício do grupo. Hoje, comanda um empreendimento eminentemente familiar em sua estrutura. Seu filho mais velho, Carlos, 40 anos, é presidente do Grupo Carso; Marco Antonio, 38 anos, é diretor-geral do Grupo Inbursa; e Patrício, 37 anos, diretor da Carso Global Telecom, América Telecom e US Commercial Corp. Os genros de Slim também ocupam postos-chave nos negócios. Arturo Elias Ayub é porta-voz do Grupo Carso e diretor da Telmex. Daniel Hajj comanda um dos negócios mais rentáveis, a América Móvil. Outra pessoa influente no processo de decisões é o sobrinho Héctor, diretor-geral da Telmex. O primeiro escalão das empresas de Slim é totalmente dominado por homens. Das três filhas, apenas uma, Soumaya, trabalha com o Museu Soumaya, criado em homenagem à falecida esposa do empresário. No primeiro time de executivos do grupo há apenas cinco mulheres, nenhuma da família. Às segundas-feiras, religiosamente, Slim reúne filhos e genros a partir das 10 horas em sua casa para um jantar. O cardápio é variado, mas quase sempre é servido um prato mexicano como chile rellenos (uma espécie de pimentão recheado com queijo) ou quesadillas (tortilhas de milho com queijo). A casa pode ser considerada austera para o padrão bilionário da família: tem seis quartos, uma pequena piscina. O único luxo são as obras de arte. Ele divide o lugar apenas com seu filho mais velho, Carlos, o único solteiro. Faz questão de dizer que não tem casas ou contas no exterior. Em mais de 40 anos nos negócios, ele jamais teve seu nome envolvido em escândalo ou denúncia. Nos fins de semana, o homem mais rico do mundo costuma se refugiar na natureza. Gosta de estar entre sequóias ou contemplar o amanhecer em Los Cabos, costa noroeste do México. "Ele é muito afetuoso, os netos o adoram. Pulam sobre ele e brincam", diz o genro Ayub. Slim confirmou que está usando seu tempo livre para escrever um livro com a história da família. Quando lhe pergunto se é um homem feliz, ele responde rapidamente: "Creio que sim". Em seguida, flerta com a filosofia. "Mas a felicidade não é um estado, é um caminho em que há obstáculos, problemas", afirma. "O caminho da felicidade existe quando você tem claros seus valores principais e quando você é coerente com eles e consigo mesmo." Para Carlos Slim, ser feliz, aos 67 anos, é sinônimo de estar com a família, conversar com os amigos ou caminhar entre as árvores. A entrevista está chegando ao fim, o gravador foi desligado, mas ele pede a um assessor uma carta que escreveu em junho de 1994 para um grupo de estudantes. Nela, trata da questão da felicidade. Lê, então, alguns trechos em voz alta. "O equilíbrio emocional está na vida interior... É preciso evitar aqueles sentimentos que corroem a alma, como inveja, ciúme, soberba, luxúria, egoísmo, vingança, avareza... Não se pode viver com medos e com culpas..." Interrompo e observo que nessa lista da felicidade não há nada material: um paradoxo? Ele me responde com uma pergunta: "Se você tivesse muito dinheiro, o que faria?" Dou uma pausa e penso como seria minha vida com a fortuna de Slim, mas, antes que eu possa responder, ele volta à carga: "Se fosse casada, deixaria seu marido, seus filhos?" Respondo que não. Ele retoma: "Minha família. Estar bem com aqueles pelos quais tenho apreço. É isso que me faz mais feliz. Não é fazer bem as coisas bem ou ter reconhecimento das outras pessoas, entende?". Perfeitamente, senhor Slim. “NÃO VOU LEVAR NADA QUANDO MORRER” Dita por qualquer mortal, essa frase é só um clichê. Na boca do homem mais rico do mundo, não é. Em entrevista exclusiva a Época NEGÓCIOS, carlos Slim diz como lida com a transitoriedade da riqueza, diz o que é importante em seu modelo de gestão e define a felicidade. Quais os pontos-chave de seu modelo de gestão? Os princípios não são novos. Têm 40 anos e estão resumidos em um decálogo (veja quadro à página 10). A eles, acrescentaria algo fundamental: a equipe, as pessoas. São as pessoas que tornam as coisas possíveis. Pessoas interessadas, motivadas, que vestem a camisa, como dizemos. E que sabem que podem alcançar qualquer desafio proposto. É preciso que exista harmonia no grupo de trabalho, que os êxitos sejam de todos. Uma vez o senhor disse que o "importante não é a riqueza, mas o que se faz com ela". O que o senhor pretende fazer com sua riqueza nos próximos anos? Ninguém leva nada deste mundo quando morre. Então, creio que a riqueza deve ser administrada com eficiência, probidade, eficácia e sobriedade para produzir mais riqueza. Um dos frutos da riqueza é a renda, e é preciso fazer com que exista redistribuição. Isso ocorre por via fiscal ou por via de remuneração salarial. E, com um trabalho adicional, podemos avançar naquelas coisas que não são rentáveis. É importante, por exemplo, que a população esteja bem nutrida, tenha boa saúde, boa educação. Essas coisas não são rentáveis, mas são um investimento social. Então, estamos fortalecendo nossas fundações - que, no caso da Carso (conglomerado industrial que deu origem ao Grupo Slim), têm mais de 20 anos. O desafio que tenho há quatro ou cinco anos é tratar de combater a exclusão e a pobreza através de saúde, educação e emprego. Esse é o meu desafio. Como o senhor divide seu tempo entre as iniciativas de filantropia e o dia-a-dia de suas empresas? Não divido o tempo. Nunca dividi. Quando alguma atividade demanda mais atenção, atendo a essa demanda. Em relação às empresas, aquela em que continuo presente é a Ideal, que tem como objetivo promover o desenvolvimento e o emprego na América Latina por meio do investimento produtivo. Também cuido das fundações."ISSO (SER O MAIS RICO), É IRRELEVANTE - NÃO ESTOU NUM JOGO DE FUTEBOL" A Ideal tem projetos para o Brasil? Claro. Não tenho nenhum plano concreto neste momento, mas sentimos que o Brasil tem uma força extraordinária, um potencial enorme. Creio que há um grande número de empresários notáveis, governos que têm sido consistentes em suas políticas econômicas e criaram um clima adequado para o desenvolvimento empresarial. Qual é a situação do mercado brasileiro nos planos do grupo? É da maior importância. Temos no Brasil investimentos muito importantes em um setor que também é de infra-estrutura: a área de telefonia. Esse mercado cresce muito e vai continuar crescendo. Por outro lado, a Telmex está trabalhando com a melhor tecnologia para oferecer mais serviços e mais concorrência em todas essas áreas. Como recebeu a notícia de ser apontando como o homem mais rico do mundo? Não recebi nenhuma notícia. Mas isso é irrelevante. Não é uma competição. Não estou jogando futebol. Me preocupa mais quanto estamos investindo e o que está acontecendo em nosso trabalho do que uma coisa desse tipo. Mas, com essas notícias, surgiram novamente comentários de que o senhor teria enriquecido a partir de um monopólio da telefonia no México. Veja, todas as empresas do grupo enfrentam forte concorrência. Todas! E temos concorrido em todos os terrenos, como a fabricação de papel, contra grandes empresas como a Kimberly-Clark e a Scott Paper. No caso da Sanborns (principal cadeia mexicana de restaurantes, que também comercializa produtos eletrônicos, livros e medicamentos), temos a concorrência do Wal-Mart, da Starbucks e de outros restaurantes. Na área de cigarros, enfrentamos a British American Tobacco, que vocês conhecem muito bem no Brasil. Com a Telcel, na área de celulares, a concorrência entrou antes. Isso quer dizer que eles tinham o monopólio. A Telmex, nossa empresa na telefonia fixa, teve seis anos de atividade exclusiva, mas apenas em longa distância. A partir de 1996, houve concorrência. Em longa distância, concorremos com as maiores do mundo, como MCI e AT&T. Na telefonia móvel, vieram gigantes como Verizon, Vodafone e Telefónica. Então, estamos competindo há muitos anos. Na telefonia fixa, como somos os únicos que atendem aos mercados C, D e E, temos 100% . Mas nos mercados A e B há grande concorrência, que será ainda maior no futuro. Um documento recente da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, a OCDE, diz que os preços da telefonia no México são excessivos.Nosso preço é a metade daquele praticado na Europa. Em países como Peru, Chile e Argentina, entramos como terceiro ou quarto (colocados no mercado). Essa é a realidade. É algo palpável. Não estou sugerindo que creiam ou não nesses fatos. Mas, cada vez que existe uma forte concorrência de mercado, criticam o líder para tratar de regular (o mercado) assimetricamente, enfraquecê-lo, amarrar uma mão ou um braço. Isso é algo que nunca pedimos nos Mas no México há uma limitação: os estrangeiros não podem entrar com força total na área de telefonia porque são proibidos de controlar empresas do setor. Isso tem sido interessante, porque, apesar de haver essa proibição, eles dão uma volta ilegalmente. Operam com fundos (trust funds). Acreditamos que é uma irregularidade, que isso não deveria existir. Mas, veja, não somos contra a abertura. Não temos nos oposto na mídia. As pessoas observam a evolução de seu patrimônio e a situação de pobreza em seu país e perguntam: como é possível que o homem mais rico do mundo esteja no México? Não é no México, é a partir do México. Você e as pessoas dizem no México, mas é a partir do México.A partir do México, então. Mas qual seria a sua resposta? Bem, fico muito contente que exista uma empresa - oxalá existissem muitas outras - que, a partir do México, um país em desenvolvimento, tenha se tornado uma transnacional, que compete globalmente e com sucesso com os grandes do mundo. E fico contente que os investidores estejam dando grande valor a essa empresa pela forma tão eficaz como ela se desenvolveu. E que, em lugar de estar absorvendo outras empresas, ou se endividando, tenha seguido uma política que favorece os acionistas por meio de recompras e dividendos. Essa empresa, que valia zero há 15 anos, e que agora tem um valor muito importante nos mercados, se chama América Móvil. O fato de que se faça isso a partir do México ou de qualquer lugar não é importante. O importante é que a riqueza esteja sendo criada. Eu não tenho contas bancárias, apartamentos ou casas fora do país. Não vou levar nada quando morrer. Então, o fato de que em nossos países se crie essa riqueza é formidável. No Brasil, há muitas coisas sendo criadas, (grupos locais) estão comprando empresas fora do país. Que bom! É muito importante que o investimento estrangeiro não apenas flua para nossos países. É importante que a globalização seja algo que possamos fazer a partir de nossos países. Que bom que esteja sendo criada riqueza em nossos países. Um exemplo é a Vale do Rio Doce, que está em expansão. É formidável. Espero que siga crescendo. É verdade que o futurólogo Alvin Toffler e o cientista Nicholas Negroponte têm dado assessoria a seus negócios? Eles são bons amigos, gosto muito deles. Costumamos falar do que aconteceu, do futuro, trocamos impressões. Mas eles não são assessores, são amigos. Falando em futuro, quais são as tendências para a economia? O que deve ficar claro - e é preciso ler, mesmo, Alvin Toffler - é a mudança civilizatória. Vivemos agora numa sociedade em que a tecnologia tem avançado tanto e a produtividade é tão grande que os seres humanos podem viver, em sua grande maioria, dedicados aos serviços. Estamos numa sociedade de serviços que tem paradigmas como a democracia, a liberdade, a pluralidade, a diversidade, os direitos humanos, o cuidado com o meio ambiente. E também a concorrência, a globalização, a produtividade, a criatividade, a inovação e a intensa mobilidade social. Mas a maravilha maior dessa nova civilização é que ela se desenvolve e se sustenta com o bem-estar dos demais. A ninguém mais convém explorar outra pessoa, a pobreza. O que convém é ter gente preparada, qualificada, que tenha tempo, que tenha capacidade de compra, que tenha um bom salário. É isso que sustenta o desenvolvimento agora. "MINHA FAMÍLIA, OS AMIGOS, A NATUREZA. ISSO É O QUE ME FAZ FELIZ" Como esses aspectos serão explorados por suas empresas? Há possibilidades de se desenvolver nesses novos campos de serviços. O entretenimento é muito importante. As pessoas têm muito tempo livre. Mais esportes, mais cultura, educação de mais alto nível. Há uma gama enorme de campos novos com enorme potencial de desenvolvimento. Qual o pior erro que um empresário pode cometer? Podem ser muitos... Não ter as melhores referências mundiais, não reinvestir, não estar com equipamento de ponta, estar atrasado em sua capacidade produtiva e não oferecer qualidade de serviço ao cliente, não desenvolver seu capital humano. E há grandes erros, como querer fazer tudo às pressas, quando as coisas têm seus tempos. É preciso entender os tempos: ter uma visão de longo prazo ainda que se tenha de atuar no curto. O que faz o senhor feliz? O que me faz feliz? Minha família, meu amigos. Conversar com amigos ou com gente de quem se pode aprender algo. A natureza me faz feliz. São muitas coisas. O senhor é feliz? Creio que sim. Mas creio que a felicidade não é um estado, é um caminho. Não é estar feliz. É um caminho, em que há obstáculos, problemas. Mas o caminho da felicidade existe quando você tem claros seus valores principais e quando você é coerente com eles e consigo mesmo.ALMAS QUE NÃO SÃO GÊMEAS o novo líder dos bilionários e seu antecessor são muito diferentes, do gosto às origens Carlos Slim Helú William Gates III Origem Filho de comerciante libanês e mãe mexicana Filho de advogado e diretora de banco Local de nascimento Cidade do México, México Seattle, Estados Unidos Idade 67 anos 51 anos Formação Engenheiro civil pela Universidade Autônoma do México Abandonou o curso de direito na Universidade Harvard Estado civil Viúvo Casado Herdeiros Seis filhos Três filhos Como se tornou um dos mais ricos do mundo Ao liderar o consórcio que comprou a Telmex, estatal de telefonia mexicana, em 1990 Com a popularização do Windows, criado pela Microsoft, no início dos anos 90 Mérito empresarial Transformou empresas decadentes e investiu na telefonia fixa e celular Apostou no software num período em que o hardware era considerado mais valioso Estilo É o maior colecionador privado de esculturas de Rodin É considerado o maior filantropo do mundo, com mais de US$ 40 bilhões em doações Lazer Freqüentar bons restaurantes. Uma vez por semana, reúne os seis filhos e nove netos para jantar Ler livros de negócios, jogar golfe e bridge PERFIL DO IMPÉRIO Como se divide o maior conglomerado empresarial da América Latina América Móvil A maior empresa de telefonia celular da América Latina, com 125 milhões de assinantes. Seu faturamento em 2006 foi de US$ 21 bilhões e vale US$ 108 bilhões. Neste ano, o valor das ações da empresa cresceu 36,2% Teléfonos de México.Detém 91% do mercado de telefonia fixa e domina as chamadas de longa distância e os serviços de internet. O faturamento no ano passado foi de US$ 16 bilhões. O valor de mercado, US$ 37,5 bilhões Grupo Carso Conglomerado com atuação no varejo, shopping centers, rodovias, cigarros, construção, mineração e autopeças. No ano passado, faturou US$ 8,5 bilhões e vale US$ 9 bilhões na bolsa Grupo Financeiro Inbursa Inclui serviços bancários, seguros e aposentadorias. Em 2006 seu faturamento foi de US$ 516 milhões.O valor de mercado é de US$ 7,1 bilhões Ideal É a menina-dos-olhos de Slim. Faz obras na América Latina. Fatura US$ 206 milhões, vale US$ 4,5 bilhões O DECÁLOGO DE SLIM As regras de ouro do bilionário A fórmula de sucesso de Carlos Slim é resumida por ele mesmo em uma lista contendo dez princípios básicos de seu modelo de gestão. O decálogo foi apresentado pela primeira vez a empresários e sócios na badalada festa de 40 anos do Grupo Inbursa, em dezembro de 2005. Slim diz que sua filosofia empresarial é, em grande parte, fruto da influência de seu pai, o comerciante libanês Julián Slim Haddad. O princípio número 10, porém, reflete, segundo ele, sua experiência corporativa: "O empresário é um criador de riqueza, que a administra temporariamente". 1. Prefira estruturas simples, organizações com níveis hierárquicos mínimos, flexibilidade e rapidez na tomada de decisões. As vantagens da pequena empresa é que fazem grandes as maiores empresas. 2. Manter a austeridade em tempos de vacas gordas fortalece, capitaliza e acelera o desenvolvimento da empresa. Desse modo, evitam-se ajustes drásticos nas épocas de crise. 3. Permaneça sempre ativo na modernização, simplificação e melhoria incansável dos processos produtivos. Procure aumentar a produtividade e a competitividade, reduzir os gastos e os custos, guiando-se pelas mais altas referências mundiais. 4. A empresa nunca deve limitar-se aos parâmetros do proprietário ou do administrador. Sentimo-nos grandes em nossos curraizinhos. 5. Não há objetivo que não possamos alcançar trabalhando unidos, com clareza de objetivos e conhecendo as ferramentas disponíveis. 6. O dinheiro que sai da empresa evapora. Por isso, reinvestimos os ganhos. 7.A criatividade é aplicável não só aos negócios, mas também à solução de muitos dos problemas de nossos países. 8. O otimismo firme e paciente sempre rende frutos. 9. Todos os tempos são bons para os que sabem trabalhar e têm como fazê-lo. 10. Nossa premissa é que daqui nada se leva. O empresário é um criador de riqueza, que a administra temporariamente. UM PÉ NO BRASIL Quais são e como estão as empresas de Slim por aqui Por Eduardo Vieira -vA América Móvil, controlada pelo bilionário mexicano Carlos Slim, possui apenas três negócios no Brasil, mas eles são bilionários. Juntas, a operadora de telefonia celular Claro, a operadora de telefonia fixa Embratel e a empresa de TV por assinatura Net (da qual Slim possui 49%) faturaram R$ 24,2 bilhões no país em 2006, segundo um levantamento da consultoria Teleco, especializada em telecomunicações. Ainda está longe do faturamento conjunto da Telmex e da América Móvil em toda a América Latina, que em 2006 foi de US$ 36,8 bilhões. Mas as empresas de Slim formam o segundo maior grupo de telecomunicações do Brasil, atrás apenas do grupo Telefónica. Os especialistas calculam que Slim já deve ter investido pelo menos US$ 10 bilhões no país. Quando começou a montar a filial de seu império por aqui, ele escolheu a telefonia celular como ponto de partida. De 2002 a 2003, investiu US$ 5 bilhões - entre aquisições de empresas, licenças e investimentos em infra-estrutura - para montar a Claro, nascida a partir da compra da BCP, empresa de telefonia que atuava em São Paulo. Em 2004, Slim comprou a Embratel. No ano seguinte, metade da Net. Mesmo com esse poderio, a situação de Slim no Brasil não é exuberante. A Embratel oscila, há anos, entre o lucro discreto e o prejuízo ligeiro. O maior problema é a Claro. Apesar de disputar com a TIM a segunda posição entre as maiores da telefonia celular, foi a única do setor a perder dinheiro em 2006. Foi o único dos 12 negócios da América Móvil no continente que não obteve lucro. Dois fatores ajudam a explicar as dificuldades. Primeiro: ela consumiu muito dinheiro para ser erguida. Foi preciso consolidar cinco empresas regionais diferentes. Segundo: a Claro foi uma das poucas empresas em que Slim teve de construir uma marca do zero. Depois de perder para a Telefónica a disputa pela TIM, Slim está de olho na Telemig Celular, operadora de Minas Gerais que está entre as operações nacionais mais saudáveis e estratégicas.